Memoti - Sentir, Aprender, Crescer
App infantil para explorar emoções com afeto.

Intro
Em um mundo cada vez mais acelerado, falar sobre emoções na infância é mais necessário do que nunca. O Memoti surgiu com o propósito de ajudar crianças a identificar, nomear e expressar seus sentimentos por meio de interações lúdicas e afetivas. Desenvolvido dentro da Apple Developer Academy, o projeto foi idealizado e executado por um time multidisciplinar e contou com uma história original escrita por nós, pensada cuidadosamente para ser empática, divertida e educativa.
Project

O problema
Crianças pequenas muitas vezes têm dificuldade para nomear ou lidar com suas emoções. A ideia do Memoti nasceu da pergunta: como podemos ajudar as crianças a entenderem o que estão sentindo de uma forma que não incentive a fuga das emoções, mas sim que as ajude a senti-las até que se esgotem? Nossa missão era criar uma ferramenta que facilitasse esse processo de forma lúdica, interativa e cuidadosamente validada com especialistas da área de educação e psicologia.
Tecnologias
Como meu foco é construir soluções de ponta a ponta com qualidade, estruturamos o projeto utilizando a arquitetura MVVM, garantindo um código limpo, escalável e bem delineado, tudo orquestrado por um fluxo de versionamento contínuo via Git e GitHub. O coração do aplicativo vai muito além de telas estáticas, focando fortemente em histórias interativas e ilustradas. Para dar vida a essa visão, mergulhamos nos frameworks nativos da Apple: manipulamos diretamente as coordenadas com CGPoints para entregar um sistema de desenho livre e altamente responsivo, e trouxemos o SpriteKit para construir a física e a lógica dos nossos minijogos internos.
Para que a imersão fosse completa, sabíamos que os detalhes fariam a diferença. Integramos uma camada rica de efeitos sonoros e exploramos o AVFoundation para criar animações precisas e fluidas, como o delicado movimento de uma folha voando pela tela, que surpreende o usuário. Nos bastidores, toda essa interatividade e o nosso sistema gamificado de conquistas precisavam de uma fundação de dados robusta, desafio que resolvemos implementando o SwiftData para um armazenamento local rápido e confiável do progresso do jogador. Acompanhar o ciclo de vida completo desse projeto — desde os incontáveis testes e refinamentos no TestFlight até a tão aguardada publicação oficial na App Store — consolidou minha visão de desenvolvimento digital, unindo a complexidade técnica e estrutural aos encantos da experiência do usuário final.
Resultados
Toda a história e estrutura do app foi criada por nós, inspirada em obras como O Monstro das Cores, com foco inicial nas três emoções primárias: alegria, tristeza e raiva — com planos futuros de expansão para emoções mais complexas, como o luto.
Desde o início, estive presente em todas as etapas do desenvolvimento, da concepção narrativa até a entrega final. Atuei como desenvolvedora principal, organizei a estrutura técnica do projeto e colaborei ativamente nos testes com crianças e profissionais. Foi a primeira vez que participei de uma validação real com usuários e especialistas, o que exigiu muito mais planejamento, escuta e refinamento. A já mencionada falta de dispositivos Apple limitou bastante o número de sessões de teste e tornou o processo mais demorado e fragmentado.

Pensamos o app em três etapas principais para cada emoção:
História interativa: com base em elementos sensoriais e metáforas visuais, apresentamos a emoção de forma lúdica, comparando-a com sensações físicas e cores — por exemplo, tristeza como algo leve, azul e profundo.
Quiz de reconhecimento: em seguida, a criança se depara com situações do cotidiano e deve identificar a emoção presente. O objetivo aqui é desenvolver empatia e ampliar o vocabulário emocional.
Mini jogo de sustentação emocional: cada emoção tem um jogo próprio que convida a criança a sustentar e processar o sentimento de forma saudável. No jogo da tristeza, por exemplo, usamos uma música melancólica e interações suaves para criar um espaço de acolhimento, não de fuga. Ao final de cada jornada, a criança recebe um achievement simbólico relacionado à emoção trabalhada.

Do ponto de vista técnico, utilizamos SpriteKit para implementar as histórias interativas e o jogo da tristeza. Já os jogos de desenho e rabisco foram construídos com SwiftUI, garantindo leveza e integração com outras partes do app. Também cuidamos com atenção do fluxo de navegação acessível, elementos visuais intuitivos e ajustes específicos para garantir que o público infantil conseguisse explorar o app com autonomia.

Outro diferencial do Memoti foi o cuidado com os materiais promocionais e o branding. Criamos um manual da marca, o que me deu, pela primeira vez, contato direto com esse tipo de processo. Foi uma experiência rica que complementou o lado técnico com uma compreensão maior de como apresentar um produto digital de forma consistente e encantadora.

Conclusão
Mesmo não sendo o projeto com o qual eu mais me identificava no início, saí muito satisfeita com o resultado. O app ficou funcional, visualmente fofo e, acima de tudo, eficaz em seu propósito educativo e emocional. O Memoti me ensinou não só sobre desenvolvimento técnico, mas também sobre empatia, escuta ativa, validação real e colaboração.
Design e ilustrações: Cintía Serapicos e Emily Petrovesky
Devs: Henrique Leal, Pedro Paulo da Silva e Stella Hada


